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História de Maria do Socorro Macedo

Autor:

Publicado em 06/04/2014 por

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Sinopse

Maria do Socorro, cearence de 48 anos, viveu de tudo no Estado de São Paulo. Aos cinco anos veio com os tios para o ABC Paulista, onde tinha uma vida de classe média, mas aos 17 anos decicdiu morar sozinha para trabalhar. Aos poucos sua vida foi se transformando, de modo que ela acabou indo morar numa favela com a mãe, o que diz ter sido muito importante para seu aprendizado como pessoa. Depois conseguiu trocar sua casa na favela com um apartamento do Programa Minha Casa, Minha Vida.

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História

Maria do Socorro Macedo, 11 de março de 66, de Lavras, Fortaleza, Ceará. Quando eu vim aqui pra São Paulo, eu ia fazer cinco anos, vim morar com o meu tio. Eu vim pra cá, então eu ia fazer cinco anos, voltei, e quando foi 74 voltei de volta, né? Pra São Paulo, não pra São Bernardo. Pra São Paulo, eu morava em São Paulo, na Catumbi, que é Belenzinho. Aí eu já não morava mais com o meu tio. Minha mãe ficou lá no Norte, veio pra cá, já foi depois, né? Eu tinha de 14 pra 15 anos. Morava sozinha, porque eu quis sair da casa do meu tio, porque eu queria ter minha vida. Eu queria ter minha vida. É que eu arranjei um serviço e ele falou o seguinte, que eu tinha que escolher, ou serviço ou a casa dele. Só que na época eu não entendi o que ele quis falar. Aí, eu não respondi nada, peguei e saí...

Maria do Socorro Macedo, 11 de março de 66, de Lavras, Fortaleza, Ceará. Quando eu vim aqui pra São Paulo, eu ia fazer cinco anos, vim morar com o meu tio. Eu vim pra cá, então eu ia fazer cinco anos, voltei, e quando foi 74 voltei de volta, né? Pra São Paulo, não pra São Bernardo. Pra São Paulo, eu morava em São Paulo, na Catumbi, que é Belenzinho. Aí eu já não morava mais com o meu tio. Minha mãe ficou lá no Norte, veio pra cá, já foi depois, né? Eu tinha de 14 pra 15 anos. Morava sozinha, porque eu quis sair da casa do meu tio, porque eu queria ter minha vida. Eu queria ter minha vida. É que eu arranjei um serviço e ele falou o seguinte, que eu tinha que escolher, ou serviço ou a casa dele. Só que na época eu não entendi o que ele quis falar. Aí, eu não respondi nada, peguei e saí pra trabalhar e não voltei mais, até hoje. E ele queria falar o seguinte, que eu não tinha necessidade de trabalhar, que era pra mim estudar, pra mim ter a vida que os filhos dele tinham.

Foi péssimo! Ou você aprende a ser gente ou aprende a escola do mundo, entendeu? Como eu era mimada era meio difícil, mas encontrei muita gente boa, então quer dizer, que me ensinaram muito, muito. Então, eu só tenho que agradecer. Não deixaram eu entrar na droga, não deixaram eu me prostituir. Não que não me deixaram, que ninguém proíbe ninguém, né, mas me ensinaram que não era bem aí o caminho, né? Então, até hoje eu moro sozinha.

Em 80 eu trouxe a minha mãe pra cá. Eu trouxe a minha mãe, porque ela tava doente, pra ela fazer um tratamento. Ela ficou 16 anos aqui, comigo, faleceu em 94. Arranjei a casa e fui morar com a minha mãe sozinha de aluguel, em São Bernardo, aqui ao Núcleo, que é onde falam favela. Nossa, era muito mato, tinha o rio que terminava sendo córrego. Eu fui criada preconceituosa, eu tinha um monte de parafuso solto na cabeça. Aí eu vim conhecer a favela, que eu precisei vir morar dentro da favela. Aí sim, aí eu aprendi a conhecer as pessoas! Eu cresci mentalmente e aprendi a conhecer as pessoas, saber o que realmente é a vida, que nem todo mundo que mora na favela é ruim, é bandido. Não! É que tem pessoas que não têm condições de ter um lugar melhor pra morar. Então, nossa, isso é um aprendizado. E aprendi a fazer trabalho voluntário, aprendi a ajudar muito as pessoas, me ajudar também, né? Me ajudar também e conhecer um pouco melhor o mundo através do local que eu tô.

A minha casa era aqui, e tinha um córrego, e minha mãe era paralítica. Então, pra andar com a minha mãe, pra descer ali, não tinha condições, tinha que trazer a minha mãe ou no colo, ou numa cadeira, que a rua não era aberta. Então, era um córrego mesmo, era só uma beiradinha, tinha receita pra passar, era um sufoco.

Aí, eu troquei, eu troquei a minha casa, que não era bem uma casa, tava construída atrás mas na frente ainda era de madeira. Aí, eu peguei e troquei com um menino, porque ele queria vender pra ir embora, por outras questões dele lá que não me interessa, né? Problema deles que não me interessa. Aí, a minha casa ele podia vender, né? Então, nós trocamos e tanto que ele vendeu pra outra pessoa, né? E eu tô lá e gosto muito.

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